29.11.06

Eureka!


Enfim, passadas mais de três décadas, descobri por que nunca gostei de estudar.
Porque é chato pra cacete.

28.11.06

Partidas dobradas.

Um imprevisto fez com que eu abandonasse os exercícios do Capítulo V do meu famigerado livro de contabilidade e fosse para a rua solucionar um problema extra-estudo.

Chego no metrô, sento-me numa janela e assim que entra uma loirinha de belos olhos azuis, tenho que sair do vagão dando-lhe um assento e um sorriso sincero. Subo escadas rolantes andando pela esquerda onde sempre há retardatários e me mando pelas calçadas da Paulicéia que já está desvairada as 4 da tarde – e olha que nem chove. Passo desviando dos camelôs parados e de algumas pessoas que andam numa vagarosidade que me dá nos nervos. Equlibro-me na sarjeta pra ver se ganho espaço e tempo, passo num salto para o meio-fio, sempre com um olho num possível espaço na calçada e outro nos motoqueiros que também buscam os cantos da rua para desviarem dos carros. A correria aqui é a lei.

Sempre que estou circulando na adrena, esbarro em pessoas que caminham sossegadas a passos campestres que tanto destoa de minha pressa em resolver logo a tal querela e voltar ao meu martírio contábil.

Tenho saudades de passear por São Paulo e, como Quintana, sinto uma dor infinita das ruas que não andei.

Sampa é sempre assim quando você circula por suas vias miscigenadas: ou está apressado, buscando ultrapassar pedestres que lhe soam a bestas vagarosas, ou a besta é você que caminha tranqüilamente na frente dalgum apressado cheio de contratempos a serem resolvidos.

23.11.06

Rascunheira.

Organizando e relendo meus resumos escritos a lápis em minhas páginas de rascunho, encontrei, em meio as anotações de Direito Penal, um e-mail escrito por uma ex-chefe. Ela terminava sua correspondência digital com um abominável “TKS” (Thanks. Me diz aí, simpatia: porque não usar o velho e bom obrigada, ou valeu, ou grata?).
Lembra de minha ex-chefe, né?
Aquela de cara de passarinho, andar de gazela e intenções de ratazana.
Lembrou?
Aquela que é a capa da Vogue, mas de conteúdo que é um Capricho só.
Não se lembra?
Aquela que aparenta ser um pavão, mas tem alma de urubu e alça vôos de pintinhos recém nascidos, sempre cumprindo as ordens do glamouroso Seu Alce?
Tá ligado?

Pois então. De um lado o e-mail da escrota. De outro, o artigo 342 do Código Penal que versa sobre falso testemunho ou falsa perícia.

Se eu encontrar seis números nalguma dessas folhas de rascunho, corro pra loteca.

21.11.06

De festas e empates.

No fragmento em que eu pedia férias à minha consciência, um amigo de um amigo perguntou-me num comentário aqui postado, se ela, além do nariz aquilino, bebia.
Respondo: bebe e comemora campeonatos aqui e, veja você, até no exterior.

Mas na ressaca ela é chata pra cacete, viu bicho?

17.11.06

Ponto.

Calor.
Bermuda.
Descalço.
Pança pra fora.
Café.
Água gelada.
Grifos nos parágrafos importantes.
Entendimento.
Troca o grafite.
Memorização.
Lembra de quem é a competência?
Insegurança.
Sensações infinitas de saco cheio.
Distrações pecaminosas.
Culpa.
Esquecimento.
Impressão de nada saber.
Prova marcada.
Frio na barriga.
Vazio.
Não vai dar.
Tempo perdido.
Sem sabedoria.
Incertezas.
Será que dá?
Sem cultura.
Medo.
Sem arte.
Só arroz, feijão, um ovo frito com a gema mole, pronta para explodir.

E lá fora, ainda há todo um verão pela frente.

Eu tô precisando tomar uma cerveja.

8.11.06

A nível de Literatura.

“O conseqüente normativo, por outro lado, corresponde ao comportamento intersubjetivo que deverá advir sempre que o evento descrito anteriormente surja no mundo dos fatos sociais.”

A minha dúvida é: o que será que esses autores jurídicos lêem quando estão no banheiro? Euclides da Cunha?

7.11.06

Passando a limpo.

Eu gosto de rabiscar enquanto penso. Isso não quer dizer que eu sou inteligente ou que pense em coisas boas, produtivas ou profundas. Isso, na verdade, só quer dizer o que está dito, ou seja, que eu gosto de rabiscar enquanto penso.

Eu também gosto de pensar. Isso também não quer dizer nada além de uma coisa que gosto de fazer. Pensar é, como diz a velha canção, meu exercício predileto. Nessas, rabisco um bocado.

Por conta dessa minha prática, sempre tive em casa muito papel para rascunho que pegava nas agências em que trabalhei. Aquelas pilhas de papel esquecidas nas impressoras sempre foram parar em meu quarto. Folhas A4, A3, Letter de várias gramaturas e brilhos. Elas se empilhavam ao lado de minha mesa e, uma a uma, eram tomadas por meus rabiscos.

De um lado meus pensamentos. Do outro, trabalhos esquecidos na impressora.

Hoje eles me são muito úteis. Aliás, mais úteis do que na época em que pensar era um mero exercício. Faço inúmeros resumos das matérias que estudo utilizando as tais folhas de rascunho que fui acumulando ao longo de minha brilhante carreira publicitária. É curioso, pois não é só trabalho que a rapaziada esquecia na impressora. Tem todo o tipo de assunto: extratos bancários, convites para festinhas de aniversário enviados por e-mail (com mapinhas de como chegar à balada), piadas, contratos, sites de imobiliárias com informação de casas para alugar na praia (e na Bahia), tabela de preços dos serviços da agência... aliás, numa delas, um e-mail que escrevi valeu 2 mil. Então quer dizer que alguém paga 2 barões pra eu escrever um e-mail que vende assinatura de jornal? E depois reclamam da crise econômica... faça-me o favor.

Sei que enquanto estudo e tento entender o que leio, faço meus resumos e anotações de um lado do papel, enquanto do outro ruge meu passado a cores ou em preto e branco. É curioso ter de um lado um resumo de Legislação Trabalhista, de outro um Briefing que solicitava um trabalho para ser entregue no início do outro dia – o que me custou uma madrugada inteira. E que se dane o período de descanso entre uma e outra jornada de trabalho.

Nessas, escrevo meu futuro nas costas do meu passado.

Filosofiazinha barata, né não?
Eu sei.
Mas e daí?

O que importa é que dessa pilha de folhas que trago comigo, rascunhos de minha própria vida, há páginas que me arrancam sorrisos, outras boas recordações, umas nada me dizem e têm aquelas que me gelam a espinha. Há ainda as que eu amasso e jogo fora sem que levem para o lixo um único rabisco meu.

Tem coisas que não servem pra nada.

1.11.06

Feriadão.


Uma topada idiota, uma luxação inesperada e cá estou com o pé imobilizado.
Uma frente fria escrota, provavelmente vinda da Argentina, dá ao feriado perspectivas nubladas, com pancadas de chuva no final do período.
Há a expectativa de mega congestionamento no sentido São Paulo – qualquer-lugar-longe-de-São Paulo.
Todos os vôos que partem ou chegam na Paulicéia, atrasam. No feriadão, a previsão é de que a situação piore.
Pra mim, tanto faz. Na verdade, meus planos para o feriado só mudariam se meus livros e apostilas fossem roubados.

E eu já não sei se comemoro ou se chamo o ladrão.

(e na vitrola, Chico me diz: chama o ladrão, chama o ladrão!)