18.2.08

No metrô – turma de exercícios.

O trem demorou a chegar, provocando um pequeno tumulto na porta do vagão. Nada muito desesperador se comparado a Estação Sé, por volta das 18:30. Mas aquele pequeno aglomerado me causou um certo desconforto. Devo estar ficando, de fato, velho para multidões.

Uma garota desesperada por um assento passou por todos sem fazer cerimônia alguma em ocupar um assento cinza reservado aos idosos, grávidas, deficientes e fudidos em geral. Eu me arrumei num canto, aumentei o som do meu I-Pod genérico e viajei, estação após estação, em nada. Creio que nenhum pensamento consistente me passou pela cabeça. Cheguei a esboçar um movimento pra retirar a Constituição da mochila e dar uma olhada num artigo qualquer, mas tal pensamento não chegou a ser levado a sério pelo meu cérebro. Não fazer nada já estava de bom tamanho.

Chegamos à Liberdade e mais gente embarcou, apertando ainda mais as pessoas no vagão. No assento cinza, a garota não parecia mais desesperada. Aliás, estava muito tranqüila lendo um livro qualquer. Não consegui ler o título da obra, mas troquemos o livro por uma revista vagabunda de fofoca e temos aí a vilã ideal: sem escrúpulos ou senso de cidadania, essa alienada tomou o lugar de uma velhinha cansada, deixando a pobre ansiã pendurada à sua frente, sofrendo em suas varizes tão abundantes quanto os rios numa carta hidrográfica amazônica.

Maldita garota!

E pra ela eu olhava com desprezo quando me dei conta que havia esquecido a borracha em cima da mesa da sala, no meio dos meus rascunhos de exercícios de Contabilidade.

Naquele dia, eu não poderia errar.