21.5.07

O mundinho no mundão.

Miragem.
Fênix.
Saia Justa.
Faroeste.
Cataratas.
Sentinela.
Alcatéia.
Crepúsculo.
Licomedes.
Alcatrão.
Hook.
Oráculo.
Caça Níqueis.
Telhado de Vidro.
Afrodite.
Maçaramduba.
Puerto Libre.
Anaconda.
Vampiro.
Curupira.
Sanguessuga.
Hurricane.
E agora, Navalha.

Taí: redator da Polícia Federal. Deve ser bacana ficar numa mesa, de óculos escuros, mordendo um palito de dente, com umas granadas na cintura, só esperando o Atendimento chegar com o pedido de alteração.

18.5.07

No fundo do quintal da escola.

Quando boas, as surpresas despertam uma felicidade de novela das 6 nos surpreendidos. Um encontro inesperado, um sucesso improvável, umas beijocas no fim da balada quando nada mais se poderia esperar da noite, um gol vitorioso nos descontos da prorrogação são sempre benvindos. A mim, ainda acrescento a falta não anunciada de um professor.

Disse que a ausência do mestre diz respeito a mim por se tratar de uma surpresa datada. Em qualquer fase da vida, um reencontro, um gol, umas beijocas são acontecimentos estupendos, motivo de comemoração. Mas me parece não fazer lá muito sentido pensar em um adulto que vibre com a falta do professor. O lógico, o corriqueiro, o óbvio é que se preocupe, pois, passado alguns anos de vida, aprendemos que tempo é dinheiro e, assim, que o outrora esplendor da não presença acadêmica do mestre em sala de aula passa a ser um dano, um inconveniente, uma chata necessidade de reorganização de agendas. Afinal de contas, se um adulto senta-se numa carteira com lápis e caderno em punho, não o faz obrigado como nos tempos de colégio. Se está ali é por que quer.

Aqui não é diferente. Todos adultos, todos rachando a moringa nas classes por vontade própria, todos com objetivos bem definidos. Ninguém quer saber de brincadeira quando o assunto é concurso público. As aulas têm seus prazos estabelecidos pela data de realização de suas provas e geralmente, a luta contra o tempo é implacável. A falta de uma aula pode ser fatal para o desempenho do concurseiro na avaliação. Todo conhecimento parece pouco pra quem se mete no mundão dos concurseiros. Não é exagero dizer que, meia hora a mais de estudo, pode significar uma questão certa – muitas vezes, o suficiente para se deixar pra trás inúmeros concorrentes.

E por que é que mesmo assim, mesmo sabendo de tudo isso, não consigo deixar de sentir uma revigorante sensação de gozo quando um professor falta?

7.5.07

Virado.

No Viaduto do Chá eu via uma apresentação indígena que acontecia lá embaixo, no Vale do Anhangabaú. Eram pouco mais de 9 de uma manhã esplendorosa de domingo. Além de mim, haviam mais algumas dezenas de cara-pálidas acompanhando o vai e vem, agacha e levanta, “u-u-u” e”tum-tum-tum” daquela tribo que tentava contar um pouco de sua história. Achei aquilo tudo bem triste e comecei a pensar na desgraça indígena e em sua aniquilação cultural. Aquele palco, aquela apresentação me soou como uma esmola antropológica que, no final das contas, nada...

-Ah bicho, pára com isso! Desencosta desse parapeito, tira a mão do queixo, desfaz essa cara de conteúdo e abre uma cerveja!

Então tá. Pedi pro sociólogo chato que começava a se manifestar em meu peito ir dar uma olhada em como estava a Praça da Sé depois dos Racionais e passei a ver a questão sobre um outro ponto de vista. Foi quando viajei no Chá.

Imaginei o que seria aquilo tudo há uns 500 anos, com o rio Anhangabaú cortando aquele verde vale. Vi que uns índios cantavam e dançavam na margem direita do rio sem perceberem que, em umas dezenas de canoas, outra tribo se aproximava furtivamente com seus arcos, flechas e lanças. Antes da briga começar, interrompi a viagem quando dois Pterodátilos passaram dando um rasante sobre o campo de batalha e lá no fundo, um vulcão entrava em erupção.

Era muito passado pras 9 da manhã.

Aquela regressão me deixou meio zonzo e, assim que os prédios voltaram, eu me mandei. O que passou, passou, não é isso? Vamos nessa, andando pra frente, olhando pro lado, com fé no futuro e as convicções firmes e fincadas no presente. O futuro se constrói agora e naquele momento eu sabia o que queria, sabia do que precisava pra fazer minha vida seguir e a alegria permanecer em meu peito. Minhas certezas eram fortes e tão claras quanto o dia que se iniciava: eu precisava tomar uma água e descolar um óculos escuro.

Fui encontrá-los alguns minutos no futuro, lá na Rua Direita, em meio uma tecneira nervosa que me engendrei rapidamente com ares de um Fred Aistare cibernético. Ganhei um óculos, comprei uma água e passei mais um bom tempo inventando coreografias absurdas, sendo assessorado pela bela doida dona dos óculos.

O futuro nos reserva cada uma, né não?

Cheguei em casa na hora do almoço. Comi um lanche, assisti um pedaço do Didi Mocó, tomei mais água, passei os olhos sobre o Código Civil que estava no banheiro sem nem pensar em abri-lo àquela hora e me estiquei na cama com duas certezas fatais: uma é que a Virada Cultural era passado, que o futuro era de estudo e que o melhor de todas as festas, em qualquer tempo, são os amigos.

E, se forem os meus, é um espetáculo pra se assistir de camarote, no Teatro Municipal, depois de uma noite inteirinha se divertindo num puteiro.