No metrô – Bonju
Quando me dei conta, o sujeito já estava ali com uma camisa da seleção francesa de futebol. Era uma camisa antiga, Le Coq Sportif. Acho que nem existe mais essa marca. Existe? Cara, eu tive uma camisa do tricolor da Le Coq. Nunca vou me esquecer o que foi ganhar aquela camisa, minha primeira camisa oficial do São Paulo. Outro dia vi um cara no Morumbi com uma dessas. Só pode ser farseta, não é possível. Estava novinha. Quando ganhei a minha, era, sei lá... mil novecentos e oitenta e poucos. Meu ídolo era o Zé Sérgio, um ponta esquerda que driblava o que viesse pela frente. Quebraram-lhe a mesma perna duas vezes e ele nunca mais foi o mesmo. Porra, mas como assim o cara veste uma camisa da França?
Será que esse cara é francês? Tem cara é de paranaense. Certeza... deve falar mais lei-TE quen-TE que champagne.
Lembrei-me dum amigo que ama o francês. O idioma, não me entendam mal. O cara estudou a língua de Victor Hugo por muitos anos e chegou a comprar CDs do Charles Aznavour para ouvir com sua namorada, numa época em que as pessoas ainda compravam CDs. Dizem as más línguas que ele chegou a ficar feliz com as seguidas vitórias da França sobre nosso escrete nas Copas de 1998 e 2006, coisa que duvido. Eu o conheço bem e sei que não se daria a tal inconfidência. Napoleão Bonaparte pode ter conquistas mais grandiosas que Deodoro da Fonseca, mas o Zidane pra chegar num Pelé manco e caolho, tem que comer muito, mas muito escargô. Nada: é arroz e feijão mesmo que o cabeção tem que comer. E deixa esse cara pra lá que ele me traz péssimas recordações.
A última vez que encontrei esse meu amigo que fala francês, saímos pra tomar um chope numa espetacular esquina da ensolarada Jaú. Perguntei-lhe como andava o idioma dos três mosqueteiros que, por sinal, andava meio devagar.
-Dei uma desencanada, viu meu?
-Mas por que, bicho? O biquinho que você fazia pra falar abajur era ótimo.
-Tô meio sem tempo e, no mais, se você quer mesmo saber da verdade, três caras me ensinaram que não há língua mais bonita que a nossa, viu meu?
-Quem?
-Machado de Assis, Nelson Rodrigues e Chico Buarque.
E não é?
A camisa da França da Lê Coq Sportif desceu na Sé, minha descida. Ainda a segui por dois lances de escadas, pensando em como seria bom se tivesse Joaquim, Nelson ou Francisco pra me explicar regência nominal.
Será que esse cara é francês? Tem cara é de paranaense. Certeza... deve falar mais lei-TE quen-TE que champagne.
Lembrei-me dum amigo que ama o francês. O idioma, não me entendam mal. O cara estudou a língua de Victor Hugo por muitos anos e chegou a comprar CDs do Charles Aznavour para ouvir com sua namorada, numa época em que as pessoas ainda compravam CDs. Dizem as más línguas que ele chegou a ficar feliz com as seguidas vitórias da França sobre nosso escrete nas Copas de 1998 e 2006, coisa que duvido. Eu o conheço bem e sei que não se daria a tal inconfidência. Napoleão Bonaparte pode ter conquistas mais grandiosas que Deodoro da Fonseca, mas o Zidane pra chegar num Pelé manco e caolho, tem que comer muito, mas muito escargô. Nada: é arroz e feijão mesmo que o cabeção tem que comer. E deixa esse cara pra lá que ele me traz péssimas recordações.
A última vez que encontrei esse meu amigo que fala francês, saímos pra tomar um chope numa espetacular esquina da ensolarada Jaú. Perguntei-lhe como andava o idioma dos três mosqueteiros que, por sinal, andava meio devagar.
-Dei uma desencanada, viu meu?
-Mas por que, bicho? O biquinho que você fazia pra falar abajur era ótimo.
-Tô meio sem tempo e, no mais, se você quer mesmo saber da verdade, três caras me ensinaram que não há língua mais bonita que a nossa, viu meu?
-Quem?
-Machado de Assis, Nelson Rodrigues e Chico Buarque.
E não é?
A camisa da França da Lê Coq Sportif desceu na Sé, minha descida. Ainda a segui por dois lances de escadas, pensando em como seria bom se tivesse Joaquim, Nelson ou Francisco pra me explicar regência nominal.

1 Comments:
Fala Alexey
O Zé Sérgio quebrou o mesmo braço duas vezes, e não a mesma perna.
Abraço
Rubens (redator)
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