Na calada da noite.
Era uma tarde de sol, um sol que entrava pela janela aberta sem fazer cerimônia. Havia também um concurso que se aproximava. Não sei bem como eu sabia que estava prestes a fazer a prova fatal, mas o fato é que eu sabia. Talvez fosse pelo nervosismo que sentia, fruto da ansiedade voraz que consumia meu sossego até corromper minha concentração. Ou seria o simples fato daquele dia estar com toda a pinta de véspera (grande Guimarães!).
Sentei-me, espreguicei-me como de costume e antes de meu último ossinho estalar, percebi que meu rascunhos haviam sido roubados.
-Roubados? Como assim?
Também me espantei com estapafúrdio acontecimento. Como poderiam ter roubado meus rascunhos, de dentro do meu quarto, se moro sozinho e a empregada só viria amanhã? No mais, convenhamos que roubar meus rascunhos de Constitucional e Administrativo não é lá furto vantajoso, que fará o larápio gozar altos proventos. Mas não importa: o fato é que meus rascunhos não estavam ali e eu fora usurpado.
Levei as mãos a cabeça e pensei no assunto. Quem poderia ser o filho da puta que me roubou?
-O Gordinho sabichão.
Claro! Maldito CDF dos infernos! Fui atrás dele. Corri para a sala, abri a porta, me mandei pelo corredor e chamei o elevador. Curioso: aquele não era o corredor de meu apartamento, mas tudo bem. A nova síndica trocou o pessoal da limpeza e poderia ter aproveitado o embalo para mudar os corredores também. Será? O que sei é que, quando já estava lá pelo segundo andar, me dei conta que só trajava cuecas, deixando minha bela e pomposa pança balançando livremente no suave chacoalhar do velho e bom Atlas Schindler.
Acordei com o rádio, Bandeirantes, O Pulo do Gato, e as primeiras notícias do dia. Eu suava e, se não com medo, ao menos estava receoso. Antes de levantar, avistei meus rascunhos metidos do lado do Vade Mecum (um volume com sei lá quantos Códigos, Leis, Constituição, Súmulas e toda esta parafernália jurídica) e sorri aliviado.
Atualmente, até meus pesadelos estão mais nerds, mais bobalhões. Houve uma época em que eles pareciam contos de Allan Poe. Hoje, parecem ter sido escritos pelo Mário Prata.
Sentei-me, espreguicei-me como de costume e antes de meu último ossinho estalar, percebi que meu rascunhos haviam sido roubados.
-Roubados? Como assim?
Também me espantei com estapafúrdio acontecimento. Como poderiam ter roubado meus rascunhos, de dentro do meu quarto, se moro sozinho e a empregada só viria amanhã? No mais, convenhamos que roubar meus rascunhos de Constitucional e Administrativo não é lá furto vantajoso, que fará o larápio gozar altos proventos. Mas não importa: o fato é que meus rascunhos não estavam ali e eu fora usurpado.
Levei as mãos a cabeça e pensei no assunto. Quem poderia ser o filho da puta que me roubou?
-O Gordinho sabichão.
Claro! Maldito CDF dos infernos! Fui atrás dele. Corri para a sala, abri a porta, me mandei pelo corredor e chamei o elevador. Curioso: aquele não era o corredor de meu apartamento, mas tudo bem. A nova síndica trocou o pessoal da limpeza e poderia ter aproveitado o embalo para mudar os corredores também. Será? O que sei é que, quando já estava lá pelo segundo andar, me dei conta que só trajava cuecas, deixando minha bela e pomposa pança balançando livremente no suave chacoalhar do velho e bom Atlas Schindler.
Acordei com o rádio, Bandeirantes, O Pulo do Gato, e as primeiras notícias do dia. Eu suava e, se não com medo, ao menos estava receoso. Antes de levantar, avistei meus rascunhos metidos do lado do Vade Mecum (um volume com sei lá quantos Códigos, Leis, Constituição, Súmulas e toda esta parafernália jurídica) e sorri aliviado.
Atualmente, até meus pesadelos estão mais nerds, mais bobalhões. Houve uma época em que eles pareciam contos de Allan Poe. Hoje, parecem ter sido escritos pelo Mário Prata.
