29.9.06

Esperança eleitoral.

Domingo, pela primeira vez, trabalharei para o Estado. Serei segundo mesário na eleição e não caibo em mim de tanta alegria. Falava com um amigo sobre esta minha euforia e o quanto não via a hora do domingão chegar quando ele, após matar o seu café e dar a derradeira mordida em seu pão na chapa, virou-se pra mim e, incisivo como um candidato do PRONA, profeciou:
-Cara, a primeira mesária vai ser uma gata.
Cofiei a barba extinta e ele foi além:
-Uma baita gostosa. Dessas de babar, sabe? Você vai ver.

Há dois dias pleito eleitoral, esta é a única expectativa que nutro pela eleição.

20.9.06

A nível de ululante.

“Por óbvio, a aplicação do direito não pode reduzir-se a simples subsunção de normas, pois o sistema lógico-axiomático é inadequado à abertura e mobilidade do sistema jurídico”.

Óbvio, né não?

19.9.06

Não faz mal, não faz mal.

Desde que decidi ser funcionário público, venho observando a reação das pessoas quando descobrem minha atividade:
-Eu estudo pra prestar concurso público.
-Ah.
Esse “ah” pode refletir desprezo, admiração, indiferença. Pode mostrar que a pessoa que me olha com o “ah” na boca me julga um bunda-mole, um cara determinado, um medíocre, um vagabundo, um frustrado ou um oportunista. Pode expressar um “ah, que cara louco!” ou um “ah, que precavido...”, um espontâneo “ah, espertão!” ou ainda o famoso e habitual “ah tá, seu bosta.”.

Acho que eu sou um pouco disso tudo. Mas agora, pensando bem, neste exato momento, eu só posso dizer uma coisa:
-Ah! Cabou o papel higiênico.

E ao fundo, os sinos dobram.

14.9.06

Trilha Sonora.

Não é raro ver inúmeros gravadores ligados nas aulas que freqüento. Gravar aulas para ouvir depois é um artifício muito utilizado por concurseiros. Nessas, como quem está no inferno tem mais é que abraçar o capeta, descolei uns CDs com algumas aulas.
Volta e meia os escuto. E, num surto psicótico, meti o CD no som do meu carro enquanto viajava de Jaú pra Sampa, na última semana.
Quando parei num dos milhares de pedágios que separam a pacata cidade dos meus pais e irmã da Paulicéia Desvairada, Japonês-Sabe-Absolutamente-Tudo falava nos auto- falantes de minha caranga sobre Créditos Tributários, num juridiquês que dava gosto de ouvir.
Abri o vidro, estendi uma surrada nota de dez reais à Vânia, a operadora daquela cabine, e como num ato reflexo, recordei a matéria até então ouvida:
-Bom dia, Vânia. O que lhe pago agora não é um tributo mas sim um Preço Público.

Ela me olhou por um instante sem entender nada. Depois sorriu, deu-me o troco, desejou-me uma boa viagem e finalizou nossa breve troca de idéias com extrema sapiência:
-Vai devagar, hein?