24.1.07

Pedro onde cê vai eu também vou. Ou, ao menos, queria ir.

Na véspera do feriadão paulistano, minha expectativa é de descer para o Direito Administrativo bem de manhãzinha e aproveitar o final da tarde pra pegar um Tributário. Depois volto a Contabilidade e certamente enfrentarei aquele trânsito infernal de dúvidas e desentendimentos. Mas não foi pra falar sobre o meu feriadão que hoje escrevo, mas sim pra falar de um personagem da história de Sampa: Pedro Taques.

Quem vive na Paulicéia já foi a um aniversário ou fez a sua comemoração no bacana e ambíguo bar Drosophyla, que fica na rua Pedro Taques. Mais: Itanhaém, Peruíbe, Monguaguá tem acesso pela rodovia que leva o nome desse ilustre habitante da então Capitania de S. Vicente, um dos primeiros figurões a escrever sobre a nossa história. Mas o que eu queria mesmo falar pra vocês não tem nada a ver com as habilidades intelectuais do moço ou sobre sua má sorte na vida que sempre se pôs entre ele e a fortuna que perseguiu ao longo de toda a sua existência, fazendo-o, inclusive, organizar uma expedição Bandeirante rumo a Goiás, em busca do ouro, vil metal que por aquelas bandas só não dava em árvores (que somos nozes). O que mais me chamou a atenção na biografia de Pedrão, foi que num determinado momento, farto do dia-a-dia garimpeiro, correu pra Portugal e descolou um trabalho público impressionante: Tesoureiro Mor da Bula da Cruzada.

Mas que cacete faz um Tesoureiro Mor da Bula da Cruzada?

Simples: ele vendia e arrecadava o produto da cobrança de Bulas, que nada mais eram que uma espécie de dispensa conferida aos fiéis, relacionada aos jejuns impostos pela igreja da época - que dizem terem sido severos pra diabo. Ou seja, Pedrão, com a concessão da Santa Sé e a serviço da Coroa Imperial Lusitana, vendia licenças para que a rapaziada comesse e bebesse de tudo sem culpa ou pecado.

É mole?

Não sei quando sai o edital desse concurso, mas eu quero. Ser Tesoureiro Mor da Bula da Cruzada... pô, minha avó vai derreter de orgulho!

A nível de consentimento.

“Tais direitos sobrevivem, e não apenas sobrevivem, senão que ficam opulentados em sua dimensão principal, objetiva e axiológica, podendo, doravante, irradiar-se a todos os direitos da sociedade e do ordenamento jurídico. Daqui se pode, assim, partir para a asserção de que os direitos da segunda, terceira e quarta geração não se interpretam, mas sim, concretizam-se”.

Então tá.

18.1.07

Campeões de bilheteria.

Meu irmão é funcionário público concursado. Ao longo de um ano e meio, talvez um pouco mais, ele estudou arduamente. Durante esse período ele se tornou um expert em concursos públicos e volta e meia me dá dicas sobre o que estudar, onde buscar informações e até como dividir a carga horária. Quando foi aprovado, o figurão estava tão preparado que chegou ao cúmulo de, além de manjar Contabilidade, fazer um levantamento da pontuação necessária para passar em certos concursos. Pesquisou resultados dos últimos dez anos de inúmeras carreiras públicas que estavam na sua mira e quando prestou o exame fatal, sabia quantos pontos precisaria fazer para ter sucesso na avaliação.

Foi com todo esse conhecimento que ele analisou meus resultados na prova do ISS. Coçou o queixo, balançou a cabeça, fez um movimento de reprovação com os lábios enquanto eu me sentia como uma espécie de comunista subversivo com a barba por fazer, diante um agente do DOPS. Antes de dar seu veredicto, ele deu uma risadinha de canto de boca:

-É... há uns oito ou nove anos, com esse resultado, você estaria dentro. Hoje, sem chance pro goleiro.

Espero que na próxima vez, ele me traga, ao invés dos livros e dicas, Doc e Martin Mc Fly dentro daquele fantástico De Lorean.

17.1.07

A seco.

Nos últimos dois fins de semana, fiz o concurso para fiscal do ISS da Prefeitura Municipal de São Paulo. Lá, já em atividade no cargo em questão, tenho um amigo que já passou pelos perrengues que só o fantástico mundo do concurso público oferece aos seus habitantes. Ele é funcionário público concursado há alguns anos e, em nossa última conversa, disse-me que há em sua repartição uma mesa vaga.

-Rapaz, eu fico imaginando que você vai estar nela depois desse concurso.

Caros amigos, belas amigas, devo confessar que sonhei com a ocasião. Não digo que sonhasse todas as noites pois, a bem da verdade, não me vi na mesa citada pelo meu amigo uma única vez durante meus sonos. Sonhava acordado, enquanto estudava, lutando comigo mesmo nas trincheiras da concentração e da realidade dos livros que a minha frente se posicionavam, contra os devaneios de um sucesso improvável. Diante meus olhos, Direito Tributário; em minha mente, eu e meu amigo trabalhando lado a lado e depois, no fim do expediente, afrouxando a gravata num botequim qualquer pelos arredores da Prefeitura.

Veio as avaliações e hoje tive acesso ao gabarito final das quatro provas.

A mesa não será minha, tampouco acompanharei meu amigo na cerveja do happy hour.
Na verdade, depois da prova, ao invés de uma merecida gelada eu ganhei foi só uma porção.

De nabo.

11.1.07

Ah, o verão!

Depois da Bahia, Sampa. E esse comecinho de 2007 é só saudade do fim de 2006.

Saudades daquele clima fraterno e quente, de suas garçonetes espetaculares, da demora no serviço, das suas praias repletas de coqueiros e bundas que passavam pra lá e pra cá sob o sol retumbante que abençoa a terra de todos os santos.

Saudades de boiar infinitamente no mar, tomar uma breja gelada enquanto esperava nada acontecer, de jogar conversa fora com irmãos e irmãs sem qualquer compromisso, das baladas ébrias e divertidas, de ficar descalço o tempo todo a ponto de não mais saber se um dia meu pé voltará a ficar limpo.

Mas é a vagabundagem, é a preguiça impune e absoluta que mais me faz falta.
Ainda mais agora, que tenho uma tarde inteira de revisão de Direito Tributário.

Acho que vou tomar uma água de coco. Em caixinha.

3.1.07

2007.


São os sinceros votos desse humilde e subversivo concurseiro.
- Foto de Fabio Nishiyama -