8.2.07

Clássico.

No intervalo da aula de Constitucional, fui tomar um café na lanchonete da Colega, de quem já falei num fragmento pretérito, que fica naquela praça que não me lembro nome, atrás da Biblioteca Mário de Andrade. Sabe? Pois então, é lá. Sempre que tomo esse cafezinho, ganho um papo com a simpática pernambucana e uma rápida caminhada pela Av. São Luís. E lá andava eu, com minha tricampeã camisa tricolor, tentando digerir os ensinamentos de Japonês-Sabe-Absolutamente-Tudo-Né quando, entre os transeuntes, avistei um sujeito me encarando. Ele vinha em minha direção, trajando uma calça suja, camisa alvinegra desgastada pela má qualidade de sua pirataria e um boné surrado. Já próximos, ele pára, coloca a mão na cintura, bate o pé no chão num gesto de explícita reprovação e solta um inesperado desafio:
-E agora? Vamos brigar?
Disse me olhando com uma carranca que logo se desmanchou num sorriso fraterno. Estendeu-me a mão:
-Paz.
Retribui o cumprimento apertando-lhe a mão calejada:
-Paz, irmão.
Ele, uma típica figura do centro da cidade, insistiu:
-Pax.
E eu:
-Cuma?
-Pax é paz em italiano. Em inglês é piece.
Ficou um minuto em silêncio, ainda segurando minha mão:
-E em hebraico?
Insisti:
-Cuma?
-Como se diz paz em hebraico?

Desvencilhei-me de seu cumprimento sem sanar sua curiosidade. Desejei-lhe sorte e paz em português e tomei meu caminho, de certa forma, aliviado.

Imagina só o que deve ser aprender controle de constitucionalidade em hebraico?

1 Comments:

Blogger Fábio Rosé said...

Pelo time dele, me surpreende que ele nao lhe tenha dito "Pas" em português.

10:56 AM  

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