18.5.07

No fundo do quintal da escola.

Quando boas, as surpresas despertam uma felicidade de novela das 6 nos surpreendidos. Um encontro inesperado, um sucesso improvável, umas beijocas no fim da balada quando nada mais se poderia esperar da noite, um gol vitorioso nos descontos da prorrogação são sempre benvindos. A mim, ainda acrescento a falta não anunciada de um professor.

Disse que a ausência do mestre diz respeito a mim por se tratar de uma surpresa datada. Em qualquer fase da vida, um reencontro, um gol, umas beijocas são acontecimentos estupendos, motivo de comemoração. Mas me parece não fazer lá muito sentido pensar em um adulto que vibre com a falta do professor. O lógico, o corriqueiro, o óbvio é que se preocupe, pois, passado alguns anos de vida, aprendemos que tempo é dinheiro e, assim, que o outrora esplendor da não presença acadêmica do mestre em sala de aula passa a ser um dano, um inconveniente, uma chata necessidade de reorganização de agendas. Afinal de contas, se um adulto senta-se numa carteira com lápis e caderno em punho, não o faz obrigado como nos tempos de colégio. Se está ali é por que quer.

Aqui não é diferente. Todos adultos, todos rachando a moringa nas classes por vontade própria, todos com objetivos bem definidos. Ninguém quer saber de brincadeira quando o assunto é concurso público. As aulas têm seus prazos estabelecidos pela data de realização de suas provas e geralmente, a luta contra o tempo é implacável. A falta de uma aula pode ser fatal para o desempenho do concurseiro na avaliação. Todo conhecimento parece pouco pra quem se mete no mundão dos concurseiros. Não é exagero dizer que, meia hora a mais de estudo, pode significar uma questão certa – muitas vezes, o suficiente para se deixar pra trás inúmeros concorrentes.

E por que é que mesmo assim, mesmo sabendo de tudo isso, não consigo deixar de sentir uma revigorante sensação de gozo quando um professor falta?