19.10.07

Terra a vista.

Há alguns anos, numa de minhas doideiras universitárias, tarde da noite fui parar numa estrada onde um colega se deitou no asfalto, olhou para o horizonte absolutamente escuro e disse ser aquela a visão do infinito. Volta e meia me lembro desse episódio. Naquele momento de mente entorpecida, o infinito se definiu pra mim como jamais um professor ousou explicar. Era ali, naquela imensidão negra e absoluta que as retas paralelas se encontravam numa orgia geométrica.

Hoje, o infinito pra mim é bem diferente.

A ciência jurídica é vasta, vastíssima. As inúmeras súmulas que se desprendem da interpretação dos incisos e artigos legais, tomam proporções inimagináveis. Correntes doutrinárias divergem cotidianamente, gerando inúmeros desdobramentos e compreensões díspares. O Direito é uma matéria viva e pulsante que não admite ponto final tampouco resultados absolutos. Há sempre a possibilidade da ampla defesa. E pior: do contraditório.

Isso tudo é fascinante, não resta dúvidas. Mas também assustador. Ainda mais pra mim, que navego nesse oceano jurídico numa jangadinha miserável de um ordinário concurseiro. Uma mera alínea pode tomar as proporções de um Tsunami e me jogar longe da rota pré-definida, aquela que eu julgava ter sido calculada sob bases sólidas e intransponíveis. Eu leio um artigo hoje, o mesmo daqui um mês e repito a leitura ainda outra vez e posso ter diversos entendimentos. Pior fico se assisto a uma aula sobre o assunto com um bom professor ou leio um artigo sobre tal legislação nalgum site especializado. E olha que eu viajo sóbrio como uma rocha. Se me metesse nessa jornada aberto a outras viagens, enlouqueceria.

Mas chega o momento que encontro um ponto pacífico na discussão que desponta no caminho feito um porto seguro para minha mente. Numa felicidade de Robson Crusoé, sinto a firmeza da terra sob meus pés e sei que finalmente tenho o domínio da situação. Ah!, quão boa não é a sensação do conhecimento! Saio a explorar aquele pedaço de certeza em busca do ar puro, do sol pra queimar minha carcaça, das cachoeiras pra lavar-me a alma e de belas nativas pra festejar a descoberta. Uma nova viagem desponta no horizonte ensolarado de brisa fresca e constante, longe da escuridão da estrada deserta e sem curvas.

É quando encontro a Sexta-Feira.