Os filhos de Aurélio.
Acabei de chegar de mais uma aula inicial e como todo começo de curso, o professor fala sobre a vida de um concurseiro, ou ao menos, como deve ser o dia-a-dia de um cara que, assim como eu, tem a pretensão de ser um funcionário público efetivo.
Geralmente, os mestres são concursados e assim falam com absoluto conhecimento de causa. Listam os perrengues que passaram até a aprovação fatal, as dificuldades e privações que foram submetidos e do quanto todo esse sacrifício valeu a pena. Uns, mais exaltados, dizem que o dia da aprovação foi o mais feliz de suas existências. Não hoje. Carioca Tributador se limitou a dizer que foi bom e que hoje pode realizar alguns de seus sonhos, como estudar os quatro filhos.
Mas não foi só nas suas realizações que este fiscal do ICMS do Rio foi inovador na aula inaugural. Tudo bem que ele falou coisas como “aqui, não se estuda pra passar mas até passar” e que “há diferenças entre quem se interessa por um emprego na máquina do estado e quem se compromete a conquistá-lo”. Também, não deixou o lugar comum quando enumerou as virtudes que um concurseiro deve ter (e caso não as tenha que trate de providenciá-las): persistência, dedicação, renúncia e concentração. Mas aí, nesse momento, ele fez uma observação no mínimo curiosa:
-Às vezes, a inteligência atrapalha.
Cuma?
Pois é, e agora tem essa: ser inteligente é um atraso no mundão. Ele se explicou dizendo que não é raro ter pessoas inteligentes que, já dando com a vitória certa, relaxam na preparação. Coisa que uma mula não faz em hipótese alguma pois, ciente de sua burrice, estuda até que os olhos escorram pela face indo pingar lá embaixo, em gotas viscosas, nas páginas da Carta Magna. E no final da disputa, o que temos? A anta na lista de aprovados e o inteligente de volta a sala de aula.
Eu coçava o queixo pensando em quantas fábulas de La Fontaine o nobre Carioca Tributador havia lido na infância, tempo em que ele sonhava em ser qualquer coisa, menos um fiscal, quando minha divagação é abruptamente interrompida pela avassaladora conclusão do mestre:
-O burro esforçado passa. O inteligente, nem sempre. E vamos a aula.
Esforço eu não estou poupando e inteligente, assim, inteligente, inteligente, eu nunca fui. Já tentei ser, mas o máximo que consegui fui um 8,5 numa prova de História Geral, no colégio. E olha que eu colei uma ou duas questões.
Em outras palavras: minhas chances são boas.
Geralmente, os mestres são concursados e assim falam com absoluto conhecimento de causa. Listam os perrengues que passaram até a aprovação fatal, as dificuldades e privações que foram submetidos e do quanto todo esse sacrifício valeu a pena. Uns, mais exaltados, dizem que o dia da aprovação foi o mais feliz de suas existências. Não hoje. Carioca Tributador se limitou a dizer que foi bom e que hoje pode realizar alguns de seus sonhos, como estudar os quatro filhos.
Mas não foi só nas suas realizações que este fiscal do ICMS do Rio foi inovador na aula inaugural. Tudo bem que ele falou coisas como “aqui, não se estuda pra passar mas até passar” e que “há diferenças entre quem se interessa por um emprego na máquina do estado e quem se compromete a conquistá-lo”. Também, não deixou o lugar comum quando enumerou as virtudes que um concurseiro deve ter (e caso não as tenha que trate de providenciá-las): persistência, dedicação, renúncia e concentração. Mas aí, nesse momento, ele fez uma observação no mínimo curiosa:
-Às vezes, a inteligência atrapalha.
Cuma?
Pois é, e agora tem essa: ser inteligente é um atraso no mundão. Ele se explicou dizendo que não é raro ter pessoas inteligentes que, já dando com a vitória certa, relaxam na preparação. Coisa que uma mula não faz em hipótese alguma pois, ciente de sua burrice, estuda até que os olhos escorram pela face indo pingar lá embaixo, em gotas viscosas, nas páginas da Carta Magna. E no final da disputa, o que temos? A anta na lista de aprovados e o inteligente de volta a sala de aula.
Eu coçava o queixo pensando em quantas fábulas de La Fontaine o nobre Carioca Tributador havia lido na infância, tempo em que ele sonhava em ser qualquer coisa, menos um fiscal, quando minha divagação é abruptamente interrompida pela avassaladora conclusão do mestre:
-O burro esforçado passa. O inteligente, nem sempre. E vamos a aula.
Esforço eu não estou poupando e inteligente, assim, inteligente, inteligente, eu nunca fui. Já tentei ser, mas o máximo que consegui fui um 8,5 numa prova de História Geral, no colégio. E olha que eu colei uma ou duas questões.
Em outras palavras: minhas chances são boas.

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