Bom dia.
Desço na Sé de costas para a Catedral. Passo rápido pelos meninos e meninas que despertam na praça entre os pés dos adultos, miseráveis ou não, que ali circulam àquela hora. Desvio de um “Compro Ouro” e ganho a Rua Direita. Pão de queijo a vinte e cinco centavos, cem cotonetes a um real, café, tapioca, coco verde, maçã, mamão, banana e mexerica, espalham-se sobre um chão forrado por DVDs, chinelinhos, cadarços de todas as cores, meias, CDs evangélicos e despertadores que tocam renitentes. Pessoas passam numa pressa sonolenta, envolvendo um grupo que discute a demissão do técnico do Palmeiras enquanto, em frente as portas cerradas de uma loja de calçados, aguardam por mais um expediente.
Logo que chego na Praça do Patriarca, avisto o Teatro Municipal. Não consigo deixar de imaginar os elegantes casais que ali se aglomeraram para assistir, em setembro de 1911, a inauguração do palco mais famoso de Sampa. Hamlet? Na verdade, não lembro e não me demoro na questão. Durante o Viaduto do Chá, minha atenção é roubada por uma senhora, de roupas afro-baianas, que joga os búzios e canta a sorte de uma pedestre de uniforme. Se em literatura eu ainda pensasse naquele instante, pensaria em Jorge Amado.
Barão de Itapetininga: advogados para causas trabalhistas, adolescentes de cabelos escorridos com camisas do Iron Maiden, currículos por um real, treze xerox pelo mesmo tanto e, alheios às ofertas tentadoras, homens se acotovelam em frente às manchetes penduradas nas bancas de jornal. Viro na Rua Nova Barão onde as lojas ainda estão fechadas mas a Copa do Mundo já se faz presente.
Pego a direita na Sete de Abril, atravesso-a para a Praça Dom José Gaspar e, lá em cima, o relógio acusa 7:53.
Ainda há tempo para um cafezinho.
Logo que chego na Praça do Patriarca, avisto o Teatro Municipal. Não consigo deixar de imaginar os elegantes casais que ali se aglomeraram para assistir, em setembro de 1911, a inauguração do palco mais famoso de Sampa. Hamlet? Na verdade, não lembro e não me demoro na questão. Durante o Viaduto do Chá, minha atenção é roubada por uma senhora, de roupas afro-baianas, que joga os búzios e canta a sorte de uma pedestre de uniforme. Se em literatura eu ainda pensasse naquele instante, pensaria em Jorge Amado.
Barão de Itapetininga: advogados para causas trabalhistas, adolescentes de cabelos escorridos com camisas do Iron Maiden, currículos por um real, treze xerox pelo mesmo tanto e, alheios às ofertas tentadoras, homens se acotovelam em frente às manchetes penduradas nas bancas de jornal. Viro na Rua Nova Barão onde as lojas ainda estão fechadas mas a Copa do Mundo já se faz presente.
Pego a direita na Sete de Abril, atravesso-a para a Praça Dom José Gaspar e, lá em cima, o relógio acusa 7:53.
Ainda há tempo para um cafezinho.

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