24.8.06

Futuros Funcionários.

Eu já o tinha visto de passagem. Mas foi no começo de uma aula, quando ele se sentou ao meu lado, que a ficha caiu. Ele falou duas palavras, riu, jogou a pança pra frente, ajeitou os fios de cabelo que antecedem sua careca, inclinou o queixo pra frente e se concentrou na aula. Foi o suficiente para que eu, incrédulo, me desse conta de quem estava ao meu lado: Homer Simpson.

A mesma voz, a mesma pança, o mesmo riso, o mesmo cabelo, a mesma pose. Só não estava de camisa branca. A aula perdeu a importância. Como me concentrar na legislação penal se ao meu lado estava o cara que há anos, freqüenta meu televisor? Aguardei ansiosamente o intervalo e quando ele chegou, sacramentado como uma alforria, puxei conversa.

Homer é divorciado, curte Rock & Roll, prefere o Sammy Hagar ao David Lee Roth, tem uma filha, uma namorada e centenas de DVDs das mais variadas bandas tocando nos mais inusitados palcos. Não gosta de futebol, vota no Serra, toma café com muito açúcar, viaja nos solos do Satriani e presta concurso há três anos. Tira seu sustento do pequeno negócio que montou com sua namorada, comercializando cópias piratas que faz de seus próprios DVDs. Isso na parte da tarde, quando ele não tem aula. Durante as manhãs, quem vende o seu peixe, ali mesmo no centrão de Sampa, é sua sócia-namorada.

No momento, a menina de seus olhos é o concurso do ISS. Homer deseja ser fiscal da prefeitura.