Teus risonhos lindos campos têm mais flores.
Ontem reencontrei no metrô, quando voltava da aula, a garota dos peitos que tem o poder de parar qualquer aula.
Notem: eu disse qualquer aula e, creiam, não há um milímetro de exagero em minhas palavras.
Conversávamos sobre concursos quando, na estação Paraíso, vagou uma cadeira. Ágil, ela e seus peitos se sentaram rapidamente, não dando a menor chance para uma garota magrinha que também esperava ansiosamente um lugar para encostar seu corpo cansado. Eu permaneci em pé. Ela pôs os livros sobre as pernas e a conversa prosseguiu. Dali de cima, confesso que suas considerações sobre dificuldades da última prova para Fiscal do Trabalho não tinham mais a menor importância. Tentava desviar os olhos de seu decote numa vã tentativa de ser cavalheiro ou, no mínimo, menos calhorda. Cheguei a ver a magrinha sentando-se num banco cinza reservado a idosos, gestantes e deficientes. Tentei ler os cartazes publicitários e cheguei a olhar o mapinha com as linhas do metrô, em busca de uma estação que não conhecesse. Simulei uma limpada nos óculos e inventei um cisco em meus olhos. Não adiantou. Antes que o trem parasse na Vila Mariana, eles, ansiosos e saltitantes como duas criancas que chegavam ao Hoppi Hari e avistavam todo o esplendor de sua montanha russa, voltaram ao decote fatal. Ela continuava falando e eu ali, evitando a tentação de olhar descaradamente seu patrimônio, isento de tributações. Senti-me uma espécie de Zé Rainha ou Stédile bem em frente um baita latifúndio, protegido apenas por uma inofensiva cerquinha branca rendanda de contos da carochinha.
Ela percebeu o perigo da invasão, mas nada fez. Continuou falando sobre o concurso pretérito, absolutamente segura, moderna, madura, senhora de si, de seus peitos e de seus direitos. Ela sabia que estava amparada pela lei.
Afinal, um latifúndio desses não pode ser improdutivo.
Notem: eu disse qualquer aula e, creiam, não há um milímetro de exagero em minhas palavras.
Conversávamos sobre concursos quando, na estação Paraíso, vagou uma cadeira. Ágil, ela e seus peitos se sentaram rapidamente, não dando a menor chance para uma garota magrinha que também esperava ansiosamente um lugar para encostar seu corpo cansado. Eu permaneci em pé. Ela pôs os livros sobre as pernas e a conversa prosseguiu. Dali de cima, confesso que suas considerações sobre dificuldades da última prova para Fiscal do Trabalho não tinham mais a menor importância. Tentava desviar os olhos de seu decote numa vã tentativa de ser cavalheiro ou, no mínimo, menos calhorda. Cheguei a ver a magrinha sentando-se num banco cinza reservado a idosos, gestantes e deficientes. Tentei ler os cartazes publicitários e cheguei a olhar o mapinha com as linhas do metrô, em busca de uma estação que não conhecesse. Simulei uma limpada nos óculos e inventei um cisco em meus olhos. Não adiantou. Antes que o trem parasse na Vila Mariana, eles, ansiosos e saltitantes como duas criancas que chegavam ao Hoppi Hari e avistavam todo o esplendor de sua montanha russa, voltaram ao decote fatal. Ela continuava falando e eu ali, evitando a tentação de olhar descaradamente seu patrimônio, isento de tributações. Senti-me uma espécie de Zé Rainha ou Stédile bem em frente um baita latifúndio, protegido apenas por uma inofensiva cerquinha branca rendanda de contos da carochinha.
Ela percebeu o perigo da invasão, mas nada fez. Continuou falando sobre o concurso pretérito, absolutamente segura, moderna, madura, senhora de si, de seus peitos e de seus direitos. Ela sabia que estava amparada pela lei.
Afinal, um latifúndio desses não pode ser improdutivo.

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